rotina maluca de um jornalista (em um domingo)

Sei que muitos não gostam de admitir… mas, não tem como negar.. o jornalista é sim um especialista em generalidades. E isso assusta. Um exemplo bem claro dessa capacidade intrínseca a esse profissional foi o meu plantão hoje  (domingo, 10 de julho de 2011), na TV Em Tempo (SBT).

Cheguei cedo à tv, sete horas já estava na redação, mas a equipe só chegaria às 8h. Saímos para a primeira pauta às 8h25. O que tínhamos que fazer logo no início da manhã do domingão ensolarado? Uma matéria recomendada. (Pra quem não sabe, esse tipo de matéria é aquela passada pelo chefe. Normalmente é um acordo comercial, matérias sobre empresas, eventos, lançamentos no mercado etc). Bem, essa foi nossa primeira pauta. Era sobre uma feira de “esporte, fitness e bem estar”, por sinal, a primeira da Região Norte.

Dessa pauta a equipe seguiu para um velório. Como se não bastassem as sensações terríveis de se estar num velório (aos 21 anos só fui a 4, sendo que 2 foram pelo trabalho!), tivemos que seguir para uma tentativa de suicídio…. notícias ruins e ponto. De lá, fomos para um matéria alegrinha sobre opções para a criançada aproveitar as férias…. da água pro vinho em menos de 25 minutos. Um choque! Bem, é como engolir um sapo e seguir em frente… e foi o que fizemos, eu e o cinegrafista André França.

Alguns minutos mais à frente e voltamos àquela matéria recomendada… para mentir um pouquinho mais, fazer a vontade do chefinho, e me enganar achando que eu ganho algo a mais por isso.

Pra encerrar o domingão fomos pra um evento de cultura alternativa. Pessoas de preto, com bonés com olhinhos bonitinhos desenhados, muito video game e homens já grandes e maduros suando aos montes com jogos de tabuleiro. Bem, talvez eles não fossem tão maduros assim.

Mas a ideia é essa. A rotina de um jornalista é fatal, é fatídica e nem um pouco familiar. Quando você menos espera já rodou a cidade inteira em busca de mortos, de vivos, de idosos, de crianças, de alegria, de tristeza, de projetos que mudaram a sociedade, de pessoas que estão à margem da sociedade, de dispostes que se atraem e opostes que se atraem. É um mundo muito vivo, mas um tanto estranho. É um universo que não para, não descansa e nem oferece tempo para um momento de relaxamento nem que seja de cinco minutos. É tudo contraditório, mas no fim se completa e dá um pitadinha de ideia para facilitar o entendimento dos acontecimentos a nossa volta.

É, isso tudo, é o jornalismo. Ou talvez tenha sido somente um plantão (anormal) de domingo.

Que venham os outros domingos para confirmar essa minha percepção. Que venham mais generalidades. Que venha mais Jornalismo.

About these ads

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s