Quem vai se casar com o Sebrae?

Hoje fiz uma entrevista de estágio no Sebrae. Tava marcado pras 15 horas.  Eu achando que ia chegar atrasada… (porque tava um trânsito infernal na Djalma Batista) já tava formulando mentalmente uma desculpa, daquelas bonitas, bem argumentadas, quase uma verdade. Por que, quem, em sã consciência de conseguir um estágio, chega atrasada né? Não há trânsito que justifique. Só sair mais cedo.

Além disso  também tava começando – isso um pouco antes ainda – as minhas respostas para aquelas possíveis – quase sempre certas – perguntas numa entrevista de emprego. “Por que você escolheu estudar comunicação?”, “Qual seu diferencial que nos faria contratar você e não outro?”, “O que você espera aprender aqui?”… esse tipo de coisa que não é nada novo pra quem já tentou ganhar uma graninha numa empresa grande/média.

Aí, cheguei lá e me mandaram ficar numa ante sala, cheia de gente…. fiquei esperando né, fazer o quê! Até que fiquei meio aliviada por não ter chegado atrasada então. Afinal, eles também não “chegaram” na hora.

Até que alguém falou alto: “Pessoal da entrevista pra estágio, por aqui”. E aquele bolo de gente, umas 25 pessoas todas de levantaram e eu, claro, fui junto. Lindo!

Negócio estranho. Nunca tinha estado numa entrevista coletiva. Essa ia ser boa. Pelo menos não ia usar as minhas respostas mirabolantes para todas aquelas perguntas básicas que nos fazem.

Sentei lá, na minha carteira de canhoto e a mulher começou a se apresentar. Não tava acreditando, será que a gente ia ter que se apresentar também? Falar: “Oi gente, eu sou fulana, concorrente de vocês, melhor que vocês”.  Que tipo de coisa se fala numa hora dessas? Me desesperei!

Ufa! Ainda bem que ela continuou falando, falando, nem pausa fez. Falou como era na empresa, o que a gente ia fazer, como era o dia-a-dia, que até caixa se carregava. Então quer dizer que eu me candidato a uma vaga de estagiário em comunicação e vou carregar caixa?

Aí, no seu discurso pra nos fazer convencer de que trabalhar ali não seria um mar de rosas, mas talvez de margaridas ou violetas… que era de se apaixonar…. essas coisas que ninguém acredita muito. Mas, não é que a mulher era convincente? Márcia, o nome dela. E seus olhos brilhavam ao falar de como ela gostava de ser da família Sebrae.

Foi aí que ela disse uma frase esclarecedora. Mudou todos aqueles momentos posteriores a esse.

“Essa é a fase da paquera… o noivo é o Sebrae… e dependendo de vocês pode se tornar um casamento”

Ninguém avisou a ela que ninguém pula da fase da paquera pro casamento, assim, do nada?

Depois desse susto de ter que decidir se realmente queria me casar com esse tal de Sebrae – alguns desistiram – comecei a pensar que até que poderia ser um bom acordo.

Motivos? Bem, esse seria um casamento diferente. Data pra começar, data pra terminar. Você não tem que organizar nada da festa e das formalidades, só de segunda à sexta, seis horas por dia e ainda com pausa para o almoço e ganhando um dinheirinho bacana ainda. Mas, carregar caixa? Bem, isso eu faço em casa e solteira!

Como não sou uma candidata que desiste fácil, me mantive firme lá, coluna ereta, fazendo cara de séria e de atenta, tentando me imaginar assinando como Flávia Rezende Sebrae.

Engraçado como cada um era diferente naquela sala. Uns, com suas melhores roupas, tailleurs de cor combinando, unhas feitinhas, cabelos lavados e escovados. Quase que engomados num cabideiro!

Outros, um tanto descabelados, suados, com roupa de quem vai a um mercadinho da esquina (juro). Realmente engraçado. Bem, eu diria que me punha no meio desses extremos. Menos mal.

Aí descobri o motivo de ter tanta gente reunida pra uma só entrevista: matar sete (ou mais) num só golpe.

E o meio pra isso foi o que menos esperei: teste psicotécnico… Aquele, dos pauzinhos, que se faz ao tirar carteira de motorista.

A menina sentada à minha direita fazia os pauzinhos tão certinhos que pensei :“Nossa, essa aí vai ser a 1ª a ser chamada”.

E depois escrever uma análise sobre qual o seu diferencial para enfrentar o mercado de trabalho.

Numa forma de desistência, fui a primeira a terminar. E saí pensando… por que cargas d’água eu ia querer me casar com esse cara?

One response

  1. [Risos] E eu achando que seria a única a chegar atrasada, me sentindo sem graça no meio da multidão e desentendida diante dos testes psicotécnicos. Pois é, dessa vez quase ”casei”. Prestes a concretizar o casório soube que o horário deixaria o curso na Ufam a perder. Isto na quarta fase da seleção! Pensei que seria mais um típico caso de mulher que abandona os estudos pelo marido. No fundo, não valeria a pena.😉 Fica para a próxima.

    Gostei do texto, Flávia. Sucesso na blogosfera. Está add.

    =*

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