O jornalista nas telonas

*artigo

Ao longo do século XX e XXI, o cinema trouxe para si, uma gama bastante variada de temas e trabalhar. Com pouco mais de cem anos de existência, a chamada “sétima arte” se tornou popular e para essa popularidade se tornar possível e real, vários personagens foram reproduzidos nas películas em que rodam os filmes. É de conhecimento popular que as produções cinematográficas são uma das principais fontes de informação do mundo e esse meio é capaz de transportar as pessoas a qualquer espaço e tempo. Além disso, recria vidas e questiona papeis sociais.

Nessas variáveis, o cinema acaba por se tornar um campo que produz símbolos e mitos. E além disso possui um enorme campo de penetração nos mais diversos grupos sociais.

Essa característica permite que vários filmes sejam produzidos retratando diferentes profissões, e dentro dessa realiade, os profissionais de jornalismo também tem sido tema de produções cinematográficas.

Mas é preciso haver um questionamento sobre como o jornalista está sendo mostrados nas telonas. Analisando filmes como O quarto Poder ou a Montanha dos sete abutres, fica claro que o cinema vê esse profissional como alguém que preza acima de tudo pelo sucesso e para alcançar isso, faz de tudo. Apresenta seus personagens como pessoas preocupadas somente com o sucesso de sua carreira, com a sua popularidade e que para isso chega a exagerar na dose de sensacionalismo da notícia, ou a se inserir no acontecimento, tornando-se também parte da notícia. Filmes assim mostram um jornalista desapegado da ética da profissão.

Uma coisa fica clara nisso tudo. Se o cinema mostra um jornalista com esse perfil, será que já não foi feito um recorte de uma realidade existente? Ou seja, será que esse tipo de jornalista já não é o que se conhece dessa profissão?

Se, por alguma circunstância, um espectador que não tem maiores conhecimentos sobre o jornalismo, assistir a essas obras, ele pode se deparar com uma concepção de que a vida dos profissionais de imprensa se resume em estrelismo e falta de ética.

É bom que jornalistas e interessados no futuro da profissão estejam preparados para as consequências desse mundo mostrado nas grandes telas. Muitas carreiras jornalísticas podem surgir no escurinho das salas de cinema. E, seguindo o ritmo maniqueista da profissão, que conceitua esse profissional com duas visões, como heroi ou como vilão, muitos jovens cinéfilos ou espectadores despreocupados podem ser vítimas de um efeito cascata. Um ciclo vicioso em que, quanto mais repórteres de má reputação ou super estrelas aparecem na tela, mais esta imagem se firma no imaginário das pessoas como a única verdadeira realidade possível de existir.

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