“Mecânica das borboletas” reúne rock, literatura beatnik e o valor dos sonhos da adolescência

A condição humana. Esse é o elemento-chave do espetáculo “A mecânica das borboletas”. A peça, com texto de Walter Daguerre e direção de Paulo Moraes, estreou esse mês no Teatro Anchieta, do SESC Consolação de São Paulo e fica em cartaz até dia 27 de maio.

Daguerre explica que escreveu a “Mecânica das borboletas” depois de refletir sobre uma contradição. Como é possível o ser humano querer um mundo cheio de novidades, tecnologias, um lugar onde as “coisas acontecem”, e ao mesmo tempo buscar se ver livre disso tudo isso e poder “encerrar-se num único lugar, onde a noite é feita para dormir”? Essa ambivalência é a questão central do espetáculo.

O enredo gira em torno da história de dois irmãos gêmeos, Remo e Rômulo. Tudo começa quando Rômulo volta pra casa depois de 20 anos. O personagem, interpretado por Eriberto Leão, havia fugido ainda adolescente, levando consigo as economias da família, para viajar pelo mundo e descobrir a si mesmo. Duas décadas depois, já como um famoso escritor de ficção científica, ele resolve “voltar ao quilômetro zero”, sua terra natal, pois acredita ser essa a solução para uma crise de inspiração.

Quando retorna percebe que as coisas não são mais as mesmas. O pai não suportou a ausência do filho e morreu, a mãe, Rosália (Suzana Faini) enlouqueceu com a morte do marido, e o irmão Remo deixou de lado os sonhos de adolescente para assumir a responsabilidade de cuidar da oficina da família. Além disso, casou-se com Lisa (Ana Kutner), ex-namorada de Rômulo.

Com o retorno inesperado de Rômulo, a família se vê envolta em vários conflitos, principalmente entre os gêmeos. Remo (com ótima interpretação de Otto Jr) guarda a mágoa de o irmão não tê-lo levado para as aventuras pelo mundo, e se questiona se depois de 20 anos, ainda há tempo para realizar esse sonho.

Em vários momentos, Mecânica das borboletas chama a atenção por trazer ao palco citações literárias distintas, mas que dialogam entre si. Trechos do clássico beatnik “On the Road” de Jack Kerouac, até Fausto, do escritor alemão Goethe. As referências musicais também seguem a mesma tendência: vão do rock da banda The Doors para a canção “Al Otro Lado Del Rio”, de Jorge Drexler, trilha do filme “Diário de Motocicleta” de Walter Salles.

O gostoso da peça é o espectador perceber que, aos poucos, as diferenças e semelhanças entre os gêmeos nada mais são do que o eterno conflito dos seres humanos: o sonho de querer ir para longe e, ao mesmo tempo, o desejo de ter um porto seguro, um lar.

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