O que isso quer dizer?

O passado  está inserido no presente. A arte é o maior exemplo disso. O motivo?

Ao observar um obra de arte, o simples fato de pensar o seu autor é também um movimento que ‘leva para trás’. E isso faz surgir elementos de um tempo anterior na esfera da atualidade.

Esse jogo entre passado e presente está enunciado nas experiências de dois homens do século XX: Marcel Duchamp e Andy Warhol. Apesar de ter sido um artista discreto, tímido, que nem sequer se denominava artista – e por isso é pouco conhecido -, Duchamp (1887 – 1968) foi um fenônemo. Sem querer, ele conseguiu expressar o modelo de comportamento que dialoga com as expectativas contemporâneas (maior liberdade na hora de fazer arte). Quando divulgou a Roda de Bicicleta (1913) e a Fonte (1917), esse “antiartista”modificou a noção do que torna um objeto arte.

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A Roda de Bicicleta nada mais é do que um simples objeto que qualquer pessoa pode ter e manipular. Duchamp levou esse mesmo objeto para o espaço de um Salão de Arte. Sempre que questionado: “Mas qual a mensagem que  o Sr. quer passar com esta obra?” Duchamp respondia: “ Nenhuma! É apenas uma roda de bicicleta em cima de uma cadeira”

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E a Fonte? É na verdade um mictório de porcelana. Sim, isso mesmo. (Daqueles que se vê em banheiros masculinos).Então, isso é arte?

Segundo Anne Cauquelin, ao expor “objetos prontos”já existentes e utlizados na vida cotidiana, ele fez notar que é o lugar de exposição que torna esses objetos obras de arte. Com essa atitude questionadora dos valores que são dados à arte, Duchamp alcançou um patamar que não queria. Passou a ser reconhecido como artista – e revolucionário.

Já o emblemático Andy Warhol (1928 – 1987) conseguiu exatamente o que almejava: ser um astro, uma pessoa pública e fazer seu nome ser tão conhecido quanto a imagem que assinava. O próprio nome de seu ateliê (Factory) deixa explícita essa mentalidade de mercado. Foi daí que surgiram as suas séries de repetições de produtos de consumo.

ImagemObjetos como latas de sopa, garrafas de Coca-Cola e recortes de jornais viraram obras de arte mas, são as Marylins em cores variadas a marca forte do artista.

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Essa saturação de imagens tão comuns no dia-a-dia causa impacto sobre o público e é somente isso que importa para Warhol. Não há mensagem implícita nem crítica. A pergunta que tanta gente se faz diante de um obra do tipo “o que isso quer dizer” não cabe nesse tipo de arte – contemporânea. Elas simplesmente querem dizer o que elas dizem.

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