“O DOCE PREFERIDO DO BRIGADEIRO”

**TEXTO FEITO EM DEZEMBRO DE 2012 PARA O BLOG “CMYKCULTURAL” (criado pra avaliação na Pós-graduação em Jornalismo Cultural da FAAP)

O doce feito com chocolate em pó, leite condensado e manteiga já não é mais a única guloseima em festas e eventos, mas ainda é o preferido de crianças e até adultos

Por Flávia Rezende

Levante o braço quem nunca comeu um docinho de chocolate. Difícil encontrar alguém que não tenha experimentado a gostosura do doce “negrinho”. O cheiro forte de chocolate, a cremosidade, a textura macia e homogênea ou até aquele puxa-puxa que gruda nos dentes, são, muitas vezes, irresistíveis. E, de qualquer jeito, o brigadeiro faz a festa de quem curte uma experiência mais açucarada.

Feito somente com três ingredientes fáceis de encontrar em qualquer mercadinho de bairro, a mistura de chocolate em pó, manteiga e leite condensado deixa muitas crianças – e adultos – com água na boca. Não é por acaso que as festas de aniversário sempre têm um representante desse doce que virou estrela.

Além das reuniões da criançada, o brigadeiro é democrático. Ele está na noite do pijama das adolescentes, no cineminha do casal de namorados, na casa da avó. Se alguém quiser adocicar o dia, esse doce é uma opção simples, barata e gostosa. E para quem não quiser ter o trabalho de fazer, ainda é fácil de encontrar prontinho para comer.

O que pouca gente sabe é de onde surgiu essa delícia. Não se sabe ao certo, mas a história não-oficial registra que o brigadeiro foi inventado no Brasil depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Naquela época, era difícil – e caro – conseguir leite fresco para se fazer receitas de doces. Foi quando chegou da Suíça um tipo de leite ainda desconhecido nas terras tupiniquins: o leite condensado (conhecido como leite da mocinha por conta da mulher estampada na embalagem, que depois virou o “Leite Moça”). Aí, descobriram que a mistura desse líquido mais grosso e tão açucarado que arde na garganta com chocolate resultava em um docinho bem charmoso e gostoso.

Só que ninguém pensou em um nome para as bolinhas de chocolate. Veio a calhar que, nesse mesmo período (década de 50), aconteciam as eleições para a Presidência da República. Um dos candidatos era o Brigadeiro Eduardo Gomes. Na campanha, ele usava a propaganda “vote no Brigadeiro que é bonito e solteiro”. Como os adversários não eram lá um exemplo de beleza (ele disputou com Eurico Gaspar Dutra e Getúlio Vargas), o militar fez sucesso entre as mulheres. Em homenagem ao candidato, em vez de se entregar o tradicional “santinho” de político pelas ruas do Rio de Janeiro para ganhar votos, as eleitoras que trabalharam na campanha distribuíram o docinho. Foi quando aquela massa de cor escura começou a ser divulgada como o “doce preferido do Brigadeiro”.

Pouco a pouco, o negrinho, como ainda é denominado o doce no Rio Grande do Sul, foi mudando e abreviando o apelido. Passou de “doce preferido do Brigadeiro” para “preferido do Brigadeiro” e depois ficou só “brigadeiro”.

Essa é a versão mais contada pelos estudiosos da culinária brasileira, mas, entre as más línguas, a história espalhada pelos adversários do Brigadeiro Eduardo Gomes ainda nos anos 1950 é outra. Falavam-se pelas ruas que Eduardo Gomes foi ferido durante uma rebelião e que o tiro havia atingido os testículos do Brigadeiro. Como a receita do docinho não utiliza ovos, o nome seria uma piadinha maldosa com o político.

Independente de qual seja a origem verdadeira do nome, uma coisa é certa: o brigadeiro conseguiu até espaço no dicionário, tamanho o seu sucesso. Se até os anos setenta o vocábulo era descrito somente como “oficial comandante de uma brigada”, ao que tudo indica, depois garantiu seu lugar com o sentido de “certo doce feito com leite condensado e chocolate geralmente sob a forma de bolinhas cobertas de chocolate granulado” (definição do dicionário Houaiss). Agora, até no exterior, a palavra “brigadeiro” é considerada de origem brasileira.

Hoje em dia tem brigadeiro pra todos os gostos. Dá para encontrar o doce com recheio de nozes, avelã ou frutas. Com cobertura de limão e até coco queimado. Tem ainda a versão em copinho, enfeitado com bichinhos, uma infinidade de modelos. Mas, não tem jeito, o docinho mais amado de todos ainda é o tradicional brigadeiro de colher.

 

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